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Reboot no cinema

2009/10/16

Domingo passado, no cinema, vi os trailers engasgarem. O operador reiniciou o vídeo e o problema foi o mesmo. O cara desistiu de tentar, reacendeu as luzes e rebootou. Apareceu um logo enorme do windouz xp desligando e ligando de novo. Houve risada geral.

Bando de hipócritas! O que vocês usam em casa mesmo? Uma retardada disse “Não é nem o vista!”. Como se isso fosse melhorar a situação.

Da próxima vez que for ao cinema vou levar CDs do Ubuntu.

Isso me lembrou uma outra ocasião em que vi um funcionário que ficava reiniciando os terminais de auto atendimento desse mesmo cinema. A fila enorme, o cliente reclamava e ele ia lá rebootava aquela máquina. Outro cliente reclamava, ele ia lá e a mesma coisa. Qual era o sistema utilizado? Vocês sabem.

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Crimestop, blackwhite and doublethink

2009/04/13

Crimestop (one word) appears on Newspeak dictionaries as the ability of cease thinking as soon as one’s mind takes a dangerous path. By dangerous here, we mean a thought that is against the Party’s teachings. Such things can be called thoughtcrime.

Blackwhite is one of those Newspeak words that has contradictory meanings. When applied to foreigners, it is how they lie saying that black is white. When applied to comrades, it is the necessary ability to think (or to know) black is white because the Party is always right despite the facts.

Perhaps the most important concept is doublethink and it is very interesting. One practices doublethink when he/she bears two contradictory beliefs at the same time. It is not enough to accept them without judging. They have to be both true in your mind.

These are words taken from Newspeak, a language based on English created by the Ingsoc party (THE party) in Oceania that appears on 1984 by George Orwell. One more time this brilliant writer surprises me with beautiful analogies that explain how certain things work in this (the real one) world. The first time it was Animal Farm that shows how a well intended revolution can degrade to the most brutal totalitarianism.

This little piece discusses a mechanism that can be used to maintain followers in a religion. As a previously religious man, I recognise some of these patterns in what my mind used to be.

We practise crimestop to prevent us from heresy. We say other religious people, say the Jews or Muslins, do blackwhite but we are blind to see that we do practise it ourselves. Doublethink is what we use the most. We believe that everything written in the Bible (which has contradictions in it) is true and at the same time we have to believe in science and in facts we witness in real life. That is not achievable without doublethink.

Stop doing stopcrime, blackwhite and doublethink, my friends.

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Empresa familiar

2008/01/28

Quando comentei que ouvi o camelô no ônibus dizer de que seu produto era enriquecido com ‘carbono-hidratos’ e outro dizer que o seu tinha ‘90% de calorias’, ouvi uma estória ainda mais interessante. Meu amigo presenciou no trem um camelô com o seguinte bordão: “Compre a bala da empresa familiar. Meu pai planta, minha irmã colhe, minha mãe beneficia e eu vendo no trem”. A bala era igual a todas as outras.

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Split em Lua

2008/01/27

É normal que um programador, ao se deparar com uma nova linguagem, tente recriar recursos úteis de linguagens já conhecidas. Não raro, fazemos isso por ignorância dos recursos disponíveis. No meu caso, senti falta do método String.split() de Java ao codificar um algoritmo em Lua.

Inicialmente escrevi o algoritmo usando o método string:gmatch() da API de Lua, porém, o resultado é ligeiramente diferente. Suponha que temos uma string como o início de uma carta “Caro Fulano,\n\nBlah, blah, blah…” e queremos separar o texto linha por linha. Em Java, usaríamos texto.split(“\n”) e o resultado no texto acima, daria 3 linhas. Entretanto, se usássemos texto:gmatch(“[^\n]+”), a função não capturaria a linha vazia, retornando apenas duas. Além disso, temos o inconveniente de ter que inverter a expressão regular.

Sendo assim, resolvi criar meu próprio método string:split(). Ei-lo:

function string:split(separator)
    local init = 1
    return function()
        if init == nil then return nil end
        local i, j = self:find(separator, init)
        local result
        if i ~= nil then
            result = self:sub(init, i – 1)
            init = j + 1
        else
            result = self:sub(init)
            init = nil
        end
        return result
    end
end

Assim como o método string:gmatch(), em vez de retorna um array, este retorna um iterador que pode ser usando em um for. Além disso, a partir dessa definição, já podemos invocar “texto tal”:split(“regex”), como se fosse nativo da biblioteca de strings. No exemplo no início desse post, poderíamos fazer for linha in texto:split(“\n”) do print(linha) end para imprimir o texto linha por linha.

Observe que esse código cria e retorna uma função que usa uma variável da que a criou. Isso se chama closure e é muito útil. Algo como inner classes em Java, porém bem mais flexível e sucinto. A palavra self é equivalente ao this de Java e nesse caso é a própria string.

Lua é uma linguagem realmente muito interessante. Merece toda fama que possui. Experimentem! O irônico é que precisei sair do Tecgraf para me interessar por ela. Isso tem a ver um traço recorrente da minha personalidade, mas isso é assunto para outro post.

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Cores

2007/10/13

O olho humano possui dois tipos de células foto sensíveis em sua retina, a saber, os cones e os bastonetes.

O cones são divididos em três grupos, devido a diferença na maneira como respondem aos diversos comprimentos de onda. Basicamente, pode-se dizer que um grupo responde bem à luz vermelha, outro à luz verde e outro à luz azul. Assim, distinguimos as cores que observamos e qualquer outra cor além dessas é percebida como uma combinação. A consequência disso é que é impossível para nós distinguir uma luz amarela genuína de uma mistura de verde e vermelho em partes iguais.

O bastonetes, por sua vez, respondem à luminosidade sem distinção de cor. A vantagem deles é que a área exposta à luz é maior, portanto, quando a luz é fraca demais para os cones perceberem, são os bastonetes que nos ajudam a não chutar o pé da cama ao voltar da mijada noturna. Um porém é que a imagem que eles formam não tem a mesma definição da que os cones produzem. Assim, à noite, todos os gatos são realmente pardos e somos todos míopes.

Outra diferença entre eles é a distribuição. Os cones ficam concentrados mais no meio da retina. A consequência é que não distinguimos a cor de um objeto se estiver, por exemplo, no limiar da nossa visão à esquerda, enquanto olhamos para frente.

Mais uma diferença interessante é que os bastonetes percebem mudanças com mais rapidez. É possível perceber o flickering do monitor a 60 hertz com os bastonetes, ou seja, com o canto do olho. Os cones, não sacam nada. Isso também causa um fenômeno curioso. Certa vez, me deram uma caixa de fósforos vermelha que tinha umas coisas escritas em verde com a mesma luminosidade. Apenas os lentos cones percebiam o que estava escrito. Ao movimentar a caixinha em frente aos olhos havia um atraso do texto em relação ao resto da caixa. Divertido.

Depois que a informação de cor sai da retina e passa para o nervo óptico, ela é codificada em dois canais para crominância e um para luminância. Ainda tricromático, mas num sistema diferente. O formato de imagem JPEG, por exemplo, usa uma codificação semelhante para compactar a imagem eliminando alguns detalhes.

De novo vem a pergunta, Pra que esse papo chato? A resposta é que eu sou chato e ponto. Dito isso, eu afirmo agora, com embasamento teórico ,que gosto de preto. Meus sapatos, minha mochila, meu baixo. Todos pretos.

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Branco

2007/08/25

Qiu Shi Hua

Aviso: Inauguro com esse post uma nova maneira de escrever. A idéia é imitar a escrita com caneta e papel, ou seja, sem backspace, sem copiar e colar, sem edição. Errou ficou já era. O único recurso é o mesmo que se teria no papel, que é rasurar. Captaram? A motivação é o custo que escrever tem se tornado pra mim. Escrevo, apago, edito, reviso, reescrevo e ainda fica bem aquém do que gostaria. Isso tem reduzido o número de posts. Com essa nova idéia imbecil genial, a produção deve aumentar. Dito isso, vamos à estória.

Domingo à tarde, momento propício à apreciação de tetos com uma cama colada às costas. Não está frio, nem quente, não estou com fome nem outra urgência fisiológica. Quase esqueço que tenho corpo. Minha atenção está concentrada no teto branco. Todo branco.

Com algum tempo de dedicação a essa atividade, o que era puramente branco homogêneo e chato revela-se como uma infinidade de cores e formas. O olho humano (e de outros animais, acredito) adapta-se de forma a extrair mais informações de onde, a princípio, não tinha. Nesse caso, as frestas das cortinas deixam as cores do céu, dos prédios, das árvores e do entardecer fazer desenhos na tinta branca. Da mesma forma, uma linha azulada revela-se, depois de mais um tempo, como uma faixa listrada. Sabe lá o que tem lá fora que deixou essa marca. Ou pode ser algum fenômeno da luz revelando sua porção onda.

Esse papo chato todo se justifica por que há meses atrás houve uma exposição sobre a China no CCBB. Um dos quadros era um enorme branco homogêneo. Na verdade, acho que eram dois. Minha primeira impressão foi ‘Que saco! Ainda dão espaço pra esse pessoal abstrato chato.‘, mas ao me aproximar da legenda, a primeira frase dizia ‘Isto não é um quadro abstrato. Observe atentamente por alguns minutos. De preferência com um ângulo em relaçã‘. Um deles era uma paisagem com um, ou melhor, acreditava-se que era uma paisagem com um lago e o outro tinha um bambuzal ou algo que o valha. Não perdi muito tempo tentando. Senti um misto de descrença, vergonha e falta de paciência mesmo.

Procurando na internet depois, pude ver que o barato do artista é trabalhar no limite da visão humana mesmo. Agora, confesso que gostaria de tentar de novo.

Atenção de novo: Eu menti, seus manés. Usei o backspace várias vezes para evitar grafia errada, porém evitei reeditar o texto.

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Immortal

2007/08/12

Uma vergonha! Diversas vezes, durante conversas com amigos amantes do metal, foi-me dito perplexamente a frase “Você não conhece o <banda-clássica-do-metal>!!!”. Em outros tempos, seria inevitável sentir um incômodo, uma certa insegurança como se estivesse devendo. Pensava “Desmascararam minha farsa. Não sou metaleiro de verdade.”

Na verdade, não me importo muito com essas coisas, hoje em dia. Além disso, ouvi muitas dessas bandas em outros tempos e não me interessaram tanto assim que acabei esquecendo. As pessoas idolatram cada coisa por aí.

Bem, o Immortal é uma dessas. Trata-se dum classicão do black metal norueguês que ouvi tempos atrás, achei chato e esqueci. Crom e Mitra!!! Não sei onde estava com a cabeça…

Para minha sorte, alguém falou dela outro dia. Devido a empolgação dos presentes, resolvi dar uma segunda chance. Perguntei sobre quais álbuns seriam recomendados e aqui vai a resposta:

  • At the Heart of Winter: Músicas longas e bem criativas. Muito bom gosto. É o único álbum que não uma fotos deles vestidos a caráter na capa. Lembra um pouco a sueca Dissection por dois motivos: a capa e o som. Destaque para a faixa Withstand the Fall of Time.
  • Sons of Northern Darkness: Quando enjoei um pouco do outro, resolvi dar uma ouvida nesse. Carácolis! Muito mais maneiro, mais pesado, mais criativo. É o álbum mais recente. Destaques para One by One, In My Kingdom Cold e Beyond the North Waves.

Nem tudo são flores. Achei que se o quinto álbum e o sétimo são ótimos, o sexto não poderia ser menos que bom. Bem, não é bem assim. O Damned in Black me decepcionou um pouco.

E não poderia deixar de citar aqui o já clássico vídeo de black metal mais tosco do mundo, as fotos (1, 2) mais engraçadas do mundo do … do mundo todo, na verdade, e o Sons of the Southern Parkness.

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Metal em Londres

2007/06/02

Acho que era o ZyklonAntes de viajar, recomendaram-me comprar lá uma revista chamada Time Out. Trata-se de uma revista semanal que lista os diversos entretenimentos na cidade organizados por categorias como música, teatro, cinema, gastronomia e etc. Comprei-a na primeira segunda ou terça-feira lá e folheei a seção de música cuidadosamente e não fui capaz de encontrar nada do estilo que gostaria. Surpresa? Sim, foi, mas não deveria ser. Aqui mesmo no Rio, o (finado) Garage ou Heavy Duty não costumam aparecer em nenhum jornal ou revista. Ó, céus! Como encontrar o sub mundo do metal? Ora, da mesma forma que em qualquer parte do mundo.

Um dia estava andando pela Oxford Street, quando vi um casal com visual rock n roll típico. Usei de um boa tarde e um com licença para abordá-los e expliquei que era novo na cidade e estava à procura de metal preto, da morte ou metal pesado mesmo. Foram bem simpáticos e prestativos (veio à mente o contraste com a experiência portuguesa) e me recomendaram Camden Town e um lugar chamado Underworld.

No mesmo dia ou no seguinte, talvez, fui num showzinho a convite do Léo Almeida. Ele foi lá motivado por uma banda no estilo Cranberries, que não era a única nesse dia. Dentre as outras, havia uma punk, com uma mulher no baixo. Pô! Gostei da distorção. Era o que eu queria. Bem melhor que o ruído sintético que minha pedaleira faz. Ao final do show, fui falar com ela para pegar dicas. Ela recomendou o clássico Big Muff para meu baixo e o tradicional Intrepid Fox para mim. Vale lembrar o Intrepid Fox mudou-se do Soho para perto da estação Tottenham Court Road do metrô.

No sábado seguinte, fui então, para o Underworld. Entrei certo de que haveria distorção e gritos lá dentro e para minha decepção, era apenas uma banda de blues. Que deprimente. Saí de lá cabisbaixo e um moço que estava a distribuir filipetas, olhou pra mim e disse Ih! Deu azar, rapá. Hoje não tem nada aqui de interessante pra você. Conversei com ele e perguntei, então, sobre lugares e dias bons. Ele me deu várias dicas, inclusive, fazendo um mapinha. Gente boa. E quando disse que era brasileiro, ele mostrou felizão a tatu do Sepultura no braço. Falou de Ronaldinho, Kaká e tal e foi mais um a ficar confuso e decepcionado com fato de eu não me interessar por 22 homens correndo atrás de uma bola.

Bem, o resumão é o seguinte: da estação Tottenham Court Road do metrô, é mole chegar no Mean Fiddler e no Intrepid Fox e da estação de Camdem Town, num instante se chega ao Underworld ou ao Bar Monsta. Nesse último, encontrei alguns brasileiros. Aliás, onde não tem?

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Obedient wives

2007/05/22

Estava de férias em Londres, quando liguei a TV e vi algo que me revirou o estômago. O programa se chamava Obedient wives. Aparentemente o programa pregava que a mulher deveria ser submissa ao marido para a “felicidade” geral da família e mostrava vários casos de “sucesso”. Eu só podia achar que meu inglês não era suficiente para entender o que estava se passando.

Voltando ao Brasil procurei saber melhor sobre isso e descobri que o programa se chama Hidden lives. Trata-se de uma série de documentários sobre vidas de pessoas não convencionais e aquele era apenas um episódio. Dentre os outros episódios, há um sobre fisiculturistas radicais e um sobre casamentos a três.

O mais alarmante, entretanto, é que há uma organização americana chamada The Surrendered Wife que tem um programa passo-a-passo para rendição de esposas. (esperem que fui vomitar e já volto) Dentre os pontos a serem aprendidos, estão: abrir mão do controle, resistir à tentação de criticar e confiar em seus maridos nos aspectos financeiro e sexual.

Me dá arrepios de pensar em uma relação assim.

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Zupi

2007/03/18

DoitschinofDentre as diversas publicações na banca, uma destaca-se pelo visual atípico. O formato é como o de quadrinhos, mas sempre com uma arte muito doida na capa. Bem, trata-se da Zupi. É uma revista sobre artes gráficas.

Na edição deste mês, a quarta, tem uma matéria sobre o brasileiro Stephan Doitschinoff. Dez pinturas suas, com o tema Divina Comédia, foram encomendadas para ilustrar o álbum Dante XXI do Sepultura.

Na verdade, acabo de lembrar que a edição anterior também tinha me chamado a atenção. Era um monte de peças mecânicas, cuja disposição formava uma outra imagem louca. Realmente impressionante. Trata-se do trabalho com fotografias de lixo do também brasileiro Vik Muniz. Este também fez, usando chocolate, a capa do disco dos Tribalistas.