Eu sei que faz um tempo que não escrevo, devido ao mestrado, e que é meio estranho voltar à atividade com um assunto tão delicado, mas isso tem incomodado meus pensamentos nas últimas semanas. Achei melhor avisar a todos logo.
Há alguns anos, eu era visita na casa de um amigo e era a hora do almoço. Na condição de visita, recebi meu prato primeiro e, logo em seguida, quando meu amigo ia buscar o dele, tocou o telefone. Ele vai atender e fico sentado no sofá esperando. Distraído, olhava o mundo através da janela com o prato nas mãos. Enquanto isso algo me chama a atenção dentro da casa. Muito sutil. Sabe quando você está olhando pro nada e, de repente, percebe algum movimento com o canto do olho? Estava no prato. Não na comida em si, mas na borda do prato. Parecia uma fibra de algodão. Um resto do pano de prato. Pequeno. No limiar entre o visível e o não. Movia-se para um lado e para o outro, repetidas vezes. Expressava dor. Parecia preso por um lado à superfície o prato. O outro se debatia. Pensei "Nossa que ilusão! Esse fiapo parece mesmo vivo. Deve estar se movendo devido à minha respiração ou qualquer brisa imperceptível." Mesmo? Pequei o garfo e, com o cabo, tentei tocar naquilo. Mesmo tentando fazer movimentos bem suaves, esmaguei com brutal violência outra parte daquela coisa que reagiu de forma desesperada como que temendo por sua vida e sofrendo absurdamente. Mas hein? Provoquei dor excruciante a um resto de tecido? Aí minha curiosidade foi maior do que qualquer ética e fiz vários experimentos, que teria vergonha de descrever, e por fim descobri que aquilo estava vivo. Meu amigo voltou e não pensei mais no episódio por um tempo.
Dias depois, em casa, morava com meus pais ainda, fui conferir a caixa do correio. Voltei pra dentro de casa e larguei tudo que não era meu em cima da televisão, como de costume. Não sei o que deu em mim, fui dar uma segunda olhada nas correspondências. Havia uma poeira em cima das cartas. Algo como aquela coisa cinza que tiramos do chão ao varrer com uma vassoura de pêlo. Movimentava-se levemente também. Peguei então uma chave de fenda ou algum outro objeto próprio para futucar e repeti alguns experimentos daqueles. Comprovei que havia dividido em dois mais outro ser vivo que agora jazia em espasmos. Procurei amostras de 'poeira' por toda a casa e obtive os mesmos resultados. Era fácil encontrar uma daquelas coisas. Formulei a teoria de que a poeria era, na verdade, um amontoado de corpos dessas coisas. O mais incômodo foi quando descobri algumas flutuando no ar. Estando dentro de casa e vendo o ar iluminado por um raio de sol foi possível ver vários deles se locomovendo. Respiramos essas coisas.
Agora ficam perguntas. Por que nunca ouvimos falar disso antes? Alguém sabe o nome dessas coisas? Transmitem doenças? Têm consciência?
Façam o experimento. Vejam nas suas casas. Provavelmente é mais fácil encontrar em dias úmidos. Se puderem, relatem seus resultados como comentários aqui. Isso é sério. Tudo que escrevi aqui é verdade.