Posts de Agosto, 2006

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Calão

2006/08/15

Dizemos baixo calão, mas nunca alto calão. Que diabos é isso? Calão… calão… baixo calão. Imagino um povoado ao sul da mongólia numa região de menor altitude. Teria sido colônia portuguesa há quatrocentos anos e hoje tem um carnaval deprimente animado por marchinhas brasileiras de outrora. Mas voltemos à seriedade.

Dia desses fiquei irritado com minha própria dificuldade de expressar-me adequadamente. Nessa ocasião, palavras de baixo calão não eram admitidas. Mais do que irritado, depois, fiquei pasmado com minha deficiência.

Contrastem esse episódio com o fato de que até certa idade, eu nem sabia usar esse palavreado. Um dia eu até tive que me forçar a praguejar, numa tentativa imbecil de socialização com meus jovens colegas. Aquelas palavras soaram para mim como artificiais, estrangeiras. Em breve, porém, já estava fluente e, quem diria, já trazia novos vocábulos xulos ao conhecimento de meus companheiros.

Em um momento de ócio, há alguns dias, entendi que existe uma tendência da linguagem popular a se extremar cada dia mais. Veja um exemplo singelo. Estou morrendo de fome! já foi exagero algum dia (remoto) e hoje expressa a mesma intensidade de um, Tenho bastante fome. Outro exemplo é o termo bizarro que há não muitos dias denotava uma estranheza de proporções astronômicas e hoje é quase o mesmo que normal.

Outro perigo, mais grave, é que a definição de uma gíria ou palavrão é muito abrangente e flexível. É uma muleta que usamos quando temos preguiça de escolher uma construção mais adequada para expressar determinada idéia. Às vezes, chegamos ao cúmulo de apoiarmo-nos na entonação da voz, olhar ou gestos para comunicar uma idéia. Ouvi relatos de que essa pobreza foi fonte de brigas entre amigos, transformando o que deveria ser uma mensagem amigável em uma ofensa séria.

Em vista dos perigos que expus acima, proponho que por um tempo paremos de usar gírias e palavrões. Já tentei outras vezes. É doloroso, cansativo, mas encaro como sendo a dor natural do aprendizado e do desenvolvimento intelectual.

Para ajudar-nos nessa tarefa, comecei uma lista de substituição. A cada verbete xulo, temos o seu equivalente em português. Resolvi também não poluir o texto com as palavras feias substituindo-as pela grafia universalmente aceita dos quadrinhos. Quem sabe, sabe. Ei-los:

  • *&$# que pariu – “Maldição!”
  • Seu #)($&#! – “Seu bosta!” e “Seu verme!” suprem a necessidade de expressar desprezo pelo próximo. Na verdade, isso não é um hábito muito saudável. Se o indivíduo realmente merecer esse tratamento, o equivalente de baixo calão é mais do que adequado.
  • %$#@*& de $# é %@$#: “De maneira nenhuma.” ou “Discordo veementemente”, embora, não exista equivalente à altura. Na verdade, imagino que poucos povos têm uma forma tão baixa de negação de um argumento.
  • Ele é um #$%#&$: “Ele é um escroque” é quase igual. É o equivalente ao guaraná antartica diet para quem faz dieta.

Por favor, contribuam com cometários para podermos aumentar a lista.

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Metal e Circo II

2006/08/09

Sepultura star logoComentávamos sobre um casal bem tipo tios-de-alguém sentados à mesa no meio de toda aquela galera de preto e com camisa de banda quando ouvimos a bateria do começo de Dark Wood of Error. Incrédulos caminhamos lentamente na direção do palco e um de nós disse, Começou, e corremos. Bem que percebi que havia uma outra bateria já montada atrás daquela do Krisiun, então, em bom português, foi pá-pum entre um show e outro.

No show anterior, mesmo gostando das músicas, fiquei basicamente parado com pose de mau. Nesse, pulei feito um condenado, a camisa de flanela ficou ensopada de suor, cantei no estilo da voz aveludada do Max, vocal original, e terminei com gosto de sangue na boca. Não é todo dia que se vê um show desses; perdoem-me.

É, então, inevitável comparar o estilo dos bateristas. O primeiro, o Max Kolesne, é um recordista, impressiona a velô com que ele bate no bagulho, mas o carinha não dá uma pausa. Gosto muito, mas se nós que ouvimos ficamos cansados, imagine ele. O fato é que não dá pra empolgar nesse ritmo. Já o Igor Cavalera, compõe coisas mais puláveis. É fácil se empolgar num show do Sepultura.

Para quem tem dúvidas sobre o baterista novo, o Jean Dolabella, que entrou depois do Dante XII somente para a turnê, o cara é bom. Tivemos a impressão porém, que em duas músicas do Roots, ele soou meio estranho, meio quadrado, mas valeu assim mesmo.

Acho que tocaram todas as músicas que eu queria. Fiquei com a impressão de que estavam atendendo aos meus pedidos, mas agora sei que o set list já estava pronto. Santa ingenuidade, Batman!

Fiquei felizão e o Raul aliviado pensando, Quase que não venho. Ele sentiria um remorso absurdo depois que eu contasse como foi.

Agora? Agora eu to ouvindo isso, pois em verdade vos digo: nem só de Metal vive o homem.

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Metal e Circo I

2006/08/07

Cheguei no Circo lá pelas dez, acreditando ser pontual. Ao aproximar-me, surgiu um enorme sentimento de urgência. De fora, era possível ouvir o bumbo frenético do batera do Krisiun. Corri ligando pro Raul, O show já começou, rapá, Vou entrar. De fora ainda ouvi eles tocarem Kings of Killing. Ódio! Praguejei e o carinha que estava na minha frente na fila de ingressos concordou dizendo irado, Isso é hora de começar!

Dentro, fiquei curtindo a sonzeira e pensando nesse post. Achei que iria escrever que já não era mais tão jovem e minha manifestação de fúria restringiria-se apenas a soltar o cabelo e sacudir a cabeça de vez em quando. Enganei-me, pois muita coisa aconteceria ainda naquela noite.

Já fui a dois shows do Krisiun antes. Diversão garantida. O som é bom pacas, sempre tem nêgo dando moshs loucos e o Alex, o vocal, sempre fala besteira entre as músicas. É tradicional já. No último show que fui, que, aliás, foi o primeiro show no Circo depois da reforma, ele dizia, Nós não descriminamos banda nenhuma, tocava uma música e dizia, A gente não divide palco com essa palhaçada de white metal, e etc. Agora, ele inovou contradizendo-se na mesma frase, A gente não está aqui pra provar nada pra ninguém, mas a gente vai mostrar que o Metal não morreu!

Para vocês terem uma noção de como o público gosta de Krisiun, certa hora, o Alex perguntou, Vocês estão prontos para o Sepultura? e a massa respondeu, Krisiun! Krisiun! Krisiun!, este que vos escreve inclusive. Não que estivéssemos dispensando a outra banda, mas ainda estava cedo para o show deles terminar. Tocaram ainda algumas músicas e nas duas últimas tiveram a participação do Andreas Kisser. Massa!

Raul apareceu lá atrás quase no fim do show e fui buscá-lo…