Dizemos baixo calão, mas nunca alto calão. Que diabos é isso? Calão… calão… baixo calão. Imagino um povoado ao sul da mongólia numa região de menor altitude. Teria sido colônia portuguesa há quatrocentos anos e hoje tem um carnaval deprimente animado por marchinhas brasileiras de outrora. Mas voltemos à seriedade.
Dia desses fiquei irritado com minha própria dificuldade de expressar-me adequadamente. Nessa ocasião, palavras de baixo calão não eram admitidas. Mais do que irritado, depois, fiquei pasmado com minha deficiência.
Contrastem esse episódio com o fato de que até certa idade, eu nem sabia usar esse palavreado. Um dia eu até tive que me forçar a praguejar, numa tentativa imbecil de socialização com meus jovens colegas. Aquelas palavras soaram para mim como artificiais, estrangeiras. Em breve, porém, já estava fluente e, quem diria, já trazia novos vocábulos xulos ao conhecimento de meus companheiros.
Em um momento de ócio, há alguns dias, entendi que existe uma tendência da linguagem popular a se extremar cada dia mais. Veja um exemplo singelo. Estou morrendo de fome! já foi exagero algum dia (remoto) e hoje expressa a mesma intensidade de um, Tenho bastante fome. Outro exemplo é o termo bizarro que há não muitos dias denotava uma estranheza de proporções astronômicas e hoje é quase o mesmo que normal.
Outro perigo, mais grave, é que a definição de uma gíria ou palavrão é muito abrangente e flexível. É uma muleta que usamos quando temos preguiça de escolher uma construção mais adequada para expressar determinada idéia. Às vezes, chegamos ao cúmulo de apoiarmo-nos na entonação da voz, olhar ou gestos para comunicar uma idéia. Ouvi relatos de que essa pobreza foi fonte de brigas entre amigos, transformando o que deveria ser uma mensagem amigável em uma ofensa séria.
Em vista dos perigos que expus acima, proponho que por um tempo paremos de usar gírias e palavrões. Já tentei outras vezes. É doloroso, cansativo, mas encaro como sendo a dor natural do aprendizado e do desenvolvimento intelectual.
Para ajudar-nos nessa tarefa, comecei uma lista de substituição. A cada verbete xulo, temos o seu equivalente em português. Resolvi também não poluir o texto com as palavras feias substituindo-as pela grafia universalmente aceita dos quadrinhos. Quem sabe, sabe. Ei-los:
- *&$# que pariu – “Maldição!”
- Seu #)($&#! – “Seu bosta!” e “Seu verme!” suprem a necessidade de expressar desprezo pelo próximo. Na verdade, isso não é um hábito muito saudável. Se o indivíduo realmente merecer esse tratamento, o equivalente de baixo calão é mais do que adequado.
- %$#@*& de $# é %@$#: “De maneira nenhuma.” ou “Discordo veementemente”, embora, não exista equivalente à altura. Na verdade, imagino que poucos povos têm uma forma tão baixa de negação de um argumento.
- Ele é um #$%#&$: “Ele é um escroque” é quase igual. É o equivalente ao guaraná antartica diet para quem faz dieta.
- …
Por favor, contribuam com cometários para podermos aumentar a lista.


Comentávamos sobre um casal bem tipo tios-de-alguém sentados à mesa no meio de toda aquela galera de preto e com camisa de banda quando ouvimos a bateria do começo de Dark Wood of Error. Incrédulos caminhamos lentamente na direção do palco e um de nós disse, Começou, e corremos. Bem que percebi que havia uma outra bateria já montada atrás daquela do Krisiun, então, em bom português, foi 