
Aviso: Inauguro com esse post uma nova maneira de escrever. A idéia é imitar a escrita com caneta e papel, ou seja, sem backspace, sem copiar e colar, sem edição. Errou ficou já era. O único recurso é o mesmo que se teria no papel, que é rasurar. Captaram? A motivação é o custo que escrever tem se tornado pra mim. Escrevo, apago, edito, reviso, reescrevo e ainda fica bem aquém do que gostaria. Isso tem reduzido o número de posts. Com essa nova idéia imbecil genial, a produção deve aumentar. Dito isso, vamos à estória.
Domingo à tarde, momento propício à apreciação de tetos com uma cama colada às costas. Não está frio, nem quente, não estou com fome nem outra urgência fisiológica. Quase esqueço que tenho corpo. Minha atenção está concentrada no teto branco. Todo branco.
Com algum tempo de dedicação a essa atividade, o que era puramente branco homogêneo e chato revela-se como uma infinidade de cores e formas. O olho humano (e de outros animais, acredito) adapta-se de forma a extrair mais informações de onde, a princípio, não tinha. Nesse caso, as frestas das cortinas deixam as cores do céu, dos prédios, das árvores e do entardecer fazer desenhos na tinta branca. Da mesma forma, uma linha azulada revela-se, depois de mais um tempo, como uma faixa listrada. Sabe lá o que tem lá fora que deixou essa marca. Ou pode ser algum fenômeno da luz revelando sua porção onda.
Esse papo chato todo se justifica por que há meses atrás houve uma exposição sobre a China no CCBB. Um dos quadros era um enorme branco homogêneo. Na verdade, acho que eram dois. Minha primeira impressão foi ‘Que saco! Ainda dão espaço pra esse pessoal abstrato chato.‘, mas ao me aproximar da legenda, a primeira frase dizia ‘Isto não é um quadro abstrato. Observe atentamente por alguns minutos. De preferência com um ângulo em relaçã‘. Um deles era uma paisagem com um, ou melhor, acreditava-se que era uma paisagem com um lago e o outro tinha um bambuzal ou algo que o valha. Não perdi muito tempo tentando. Senti um misto de descrença, vergonha e falta de paciência mesmo.
Procurando na internet depois, pude ver que o barato do artista é trabalhar no limite da visão humana mesmo. Agora, confesso que gostaria de tentar de novo.
Atenção de novo: Eu menti, seus manés. Usei o backspace várias vezes para evitar grafia errada, porém evitei reeditar o texto.

