
Branco
2007/08/25
Aviso: Inauguro com esse post uma nova maneira de escrever. A idéia é imitar a escrita com caneta e papel, ou seja, sem backspace, sem copiar e colar, sem edição. Errou ficou já era. O único recurso é o mesmo que se teria no papel, que é rasurar. Captaram? A motivação é o custo que escrever tem se tornado pra mim. Escrevo, apago, edito, reviso, reescrevo e ainda fica bem aquém do que gostaria. Isso tem reduzido o número de posts. Com essa nova idéia imbecil genial, a produção deve aumentar. Dito isso, vamos à estória.
Domingo à tarde, momento propício à apreciação de tetos com uma cama colada às costas. Não está frio, nem quente, não estou com fome nem outra urgência fisiológica. Quase esqueço que tenho corpo. Minha atenção está concentrada no teto branco. Todo branco.
Com algum tempo de dedicação a essa atividade, o que era puramente branco homogêneo e chato revela-se como uma infinidade de cores e formas. O olho humano (e de outros animais, acredito) adapta-se de forma a extrair mais informações de onde, a princípio, não tinha. Nesse caso, as frestas das cortinas deixam as cores do céu, dos prédios, das árvores e do entardecer fazer desenhos na tinta branca. Da mesma forma, uma linha azulada revela-se, depois de mais um tempo, como uma faixa listrada. Sabe lá o que tem lá fora que deixou essa marca. Ou pode ser algum fenômeno da luz revelando sua porção onda.
Esse papo chato todo se justifica por que há meses atrás houve uma exposição sobre a China no CCBB. Um dos quadros era um enorme branco homogêneo. Na verdade, acho que eram dois. Minha primeira impressão foi ‘Que saco! Ainda dão espaço pra esse pessoal abstrato chato.‘, mas ao me aproximar da legenda, a primeira frase dizia ‘Isto não é um quadro abstrato. Observe atentamente por alguns minutos. De preferência com um ângulo em relaçã‘. Um deles era uma paisagem com um, ou melhor, acreditava-se que era uma paisagem com um lago e o outro tinha um bambuzal ou algo que o valha. Não perdi muito tempo tentando. Senti um misto de descrença, vergonha e falta de paciência mesmo.
Procurando na internet depois, pude ver que o barato do artista é trabalhar no limite da visão humana mesmo. Agora, confesso que gostaria de tentar de novo.
Atenção de novo: Eu menti, seus manés. Usei o backspace várias vezes para evitar grafia errada, porém evitei reeditar o texto.
E ai aldo,
Pow me enganou e ainda me chamou de mané … :/ … rs, gostei do texto!! Vi essa exposição e também não tive paciência alguma de enchergar seja lá o q estava desenhado nele e ainda sai sentindo o mais burro dos mortais (hahaha). O engraçado é que sempre tem alguém do lado falando de forma aclamada “que maravilha essa obra” e eu pensei “só se for pra usar ao lado do vaso” …
Vlw rapa,
raulpereira.
ah, adorei o texto, mas saquei logo no início que vc estava mentindo pq até o chico buarque deve consultar o dicionário… bjs
Ótima idéia, pena que você trapaceou. E essa coisa desse quadro heim? Que louco…
Um abraço meu véio!!!
Em tempo: A cerveja é super amarga. Tem um cheiro delicioso mas é amarga. Ela é amarga. Amarga mesmo.
Acho que você perde mais tempo marcando para “rasurar” do que apertando backspace, mas tudo bem… digamos que você esteja lançando um “estilo”.
As diversas opiniões sobre “arte abstrata”, pela minha experiência, dependem muito do estado de espírito ao se deparar com a obra. Quando você está em busca de fatos, de coisas objetivas, acha a maior idiotice. Se você estiver altamente perceptivo, atento às sutilezas do ambiente, com a mente aberta a novas sensações, pode enxergar mil significados diferentes. Ao mesmo tempo, quando você está nesse estado, pode captar informações de qualquer coisa, até mesmo do teto branco da sua casa… rsrsrs
engracado… acabei de comecar um livro do jose saramago. que fala sobre revisores de livros. existe um simbolo, “deleatur”, que marca uma palavra ou frase para ser apagada. interessante neh? pelo que ele descreve eh como um q maiusculo bem desenhado. ele descreve como uma cobra que ia morder o proprio rabo e desistiu no ultimo momento…
Aldo, você jamais teria deixado de usar o backspace. Isso porque não existe quem não cometa erros de digitação (troca de letras) e eles teriam que aparecer. Quando escrevemos com caneta e papel, esse erro é quase impossível. Erramos a grafia, ou as palavras são empregadas erroneamente. Também podemos pular uma palavra. Mas à mão não escreveríamos Adlo, por exemplo, no lugar de Aldo. Enfim, você não me pegou. Não dessa vez.