Assim que vi algumas imagens do novo filme do Jim Carrey, percebi que a computação gráfica que inseriu os pingüins (ainda gosto do trema) nas cenas era péssima. O nome original é “Mr. Popper’s Penguins” e aqui foi traduzido como “Os Pinguins do Papai”.
Ocorre hoje em dia na tradução de nomes de filmes um fenômeno similar ao que ocorreu na década de oitenta. O sufixo “do papai” é o novo “do futuro”. Antes eram “Exterminador do futuro”, “Vingador do futuro”, “Garoto do futuro” e etc. Agora são “Creche do papai”, “Acampamento do papai” e esse último “Os Pinguins do Papai”. Fecha parênteses.
Uma rápida busca revelou que o estúdio por trás dos pingüins era Rhythm & Hues e, de fato, logo na primeira página do site aparecem cenas desse e de vários outros filmes notáveis por terem computação gráfica ruim e, em particular, por não se mesclarem bem às cenas reais à volta. Segundo a wikipédia, eles usam software interno para gerar as imagens. Até aí tudo bem, mas o que me incomodou e me levou a escrever esse texto é que o portfólio deles tinha bastante em comum com o do software Houdini que, até então, eu achava que era bom.
Vejamos uma lista de alguns filmes em comum: Yogi bear, The A-Team, The Incredible Hulk, Alvin & Chipmunks, The Golden Compass, Garfield. Também têm em comum que os personagens 3D não convencem por si só e não encaixam bem com o ambiente à sua volta por problemas de iluminação ou simplesmente textura.
Agora uma lista de outros filmes feitos com Houdini: Inception, Toy Story 3, Avatar, How to Train Your Dragon, Transformers, The Curious Case of Benjamin Button, Beowulf. Arrisco dizer que esses tem efeitos bem mais convincentes.
Existem alguns possíveis culpados para essa diferença. Seria incompetência dos profissionais da Rhythm & Hues ou a qualidade ruim das imagens geradas pelo tal software interno deles? Existe ainda a possibilidade de optarem por algum algoritmo ou configuração mais rápida e menos realista por questões de prazo ou custo. Há que se levar em conta também que o fato do Houdini ter sido utilizado em um filme não significa que ele foi o único responsável pela geração das imagens. É comum usarem outros softwares, cada um na parte do processo em que é mais conveniente. Alguns são melhores para modelagem, outros para animação e ainda outros para renderização, por exemplo.
