
Houdini & Rhythm & Hues
2011/07/26Assim que vi algumas imagens do novo filme do Jim Carrey, percebi que a computação gráfica que inseriu os pingüins (ainda gosto do trema) nas cenas era péssima. O nome original é “Mr. Popper’s Penguins” e aqui foi traduzido como “Os Pinguins do Papai”.
Ocorre hoje em dia na tradução de nomes de filmes um fenômeno similar ao que ocorreu na década de oitenta. O sufixo “do papai” é o novo “do futuro”. Antes eram “Exterminador do futuro”, “Vingador do futuro”, “Garoto do futuro” e etc. Agora são “Creche do papai”, “Acampamento do papai” e esse último “Os Pinguins do Papai”. Fecha parênteses.
Uma rápida busca revelou que o estúdio por trás dos pingüins era Rhythm & Hues e, de fato, logo na primeira página do site aparecem cenas desse e de vários outros filmes notáveis por terem computação gráfica ruim e, em particular, por não se mesclarem bem às cenas reais à volta. Segundo a wikipédia, eles usam software interno para gerar as imagens. Até aí tudo bem, mas o que me incomodou e me levou a escrever esse texto é que o portfólio deles tinha bastante em comum com o do software Houdini que, até então, eu achava que era bom.
Vejamos uma lista de alguns filmes em comum: Yogi bear, The A-Team, The Incredible Hulk, Alvin & Chipmunks, The Golden Compass, Garfield. Também têm em comum que os personagens 3D não convencem por si só e não encaixam bem com o ambiente à sua volta por problemas de iluminação ou simplesmente textura.
Agora uma lista de outros filmes feitos com Houdini: Inception, Toy Story 3, Avatar, How to Train Your Dragon, Transformers, The Curious Case of Benjamin Button, Beowulf. Arrisco dizer que esses tem efeitos bem mais convincentes.
Existem alguns possíveis culpados para essa diferença. Seria incompetência dos profissionais da Rhythm & Hues ou a qualidade ruim das imagens geradas pelo tal software interno deles? Existe ainda a possibilidade de optarem por algum algoritmo ou configuração mais rápida e menos realista por questões de prazo ou custo. Há que se levar em conta também que o fato do Houdini ter sido utilizado em um filme não significa que ele foi o único responsável pela geração das imagens. É comum usarem outros softwares, cada um na parte do processo em que é mais conveniente. Alguns são melhores para modelagem, outros para animação e ainda outros para renderização, por exemplo.
Eu chutaria que a questão de custo x prazo deva ter pesado mais do que competência ou qualidade de software. Como você listou, existem vários concorrentes de peso no mercado, e a diferença é visível a qualquer um, inclusive ao pessoal da Rhythm & Hues. Mas filmes como Alvin, Garfield e Zé Colméia encantam o público-alvo (crianças) mesmo não sendo tão realistas, portanto o custo de torná-lo top pode não se pagar. Não vi Esquadrão Classe A, mas os efeitos do Hulk não me pareceram tão ruins (tudo bem, não é um Avatar, mas se comparar com o Hulk do Ang Lee, que mais parecia um Stay Puft verde, é fantasticamente realista). E não vale comparar com Toy Story ou Como Treinar o seu Dragão, em que não há superposição com filmagens reais.
Sobre a questão dos nomes dos filmes, destaque para o “Garoto do Futuro”, que para mim é a minha referência de pior tradução já vista para um filme: não tem absolutamente nada a ver com o original “Teen Wolf”, o nome é apenas uma alusão ao sucesso do “De Volta para o Futuro”, cuja única similaridade com “Teen Wolf” é ter o Michael J.Fox como protagonista.
Acho que não vale a pena investir em qualidade, depois de um certo limite, em quase nenhum filme. Esses filmes ruins todos fizeram muito dinheiro. As pessoas não notam a diferença mesmo, né?
Quanto ao Toy Story e Como Treinar o seu Dragão, não servem de comparação mesmo. A Rhythm & Hues também fez o Happy Feet que é puramente CG e está OK.