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Moonspell & Loudness War

2007/03/07

memorial_cover.pngNeste exato momento, em alguma gaveta empoeirada, ao lado de um ioiô sem barbante e um canivete enferrujado, depois de muito circular pelo Rio, jaz uma fita cassete que já esteve em minhas mãos. Em seu conteúdo, o álbum Wolfheart, que apresentou ao mundo e a mim mesmo a banda portuguesa Moonspell. Saudosisticamente, procurei ouvir mais uma vez as músicas, tais como Alma Mater, que me divertiram tanto outrora. Para minha surpresa, diversas outras músicas do mais novo álbum, Memorial, também estavam disponíveis. Surpresa ainda maior foi gostar tanto desse álbum novo.

Bem, do Memorial, logo após uma faixa de introdução, destaca-se Finisterra. É daquelas músicas que tem um riff que gruda na cabeça. Algo como Symbolic do Death. Foi então resolvi contribuir fazendo a minha própria versão dessa música usando Hydrogen para a bateria, meu baixo, a garganta, um microfone de R$5,00, uma placa de som onboard e o Audacity para mixar. Apesar do equipamento de baixa qualidade, o resultado realmente ficou muito pior ainda do que se poderia imaginar. Ajudou também errar o tempo. Ouçam. Lembrem que não tem guitarra.

A propósito, mudando completamente de assunto, enquanto pesquisava os efeitos disponíveis no Audacity, achei algo interessante. Já percebeu como CDs da década de noventa são mais baixos que os comprados recentemente? Um Heartwork é tímido em relação a um Wages of Sin, por exemplo. Sabia que os volumes estavam aumentando conforme o tempo passava e suspeitava da perda de qualidade, mas agora descobri que isso é verdade e tem um nome: loudness war.

A gravadoras passaram a aumentar ligeiramente o volume de suas gravações para que estas sobressaíssem quando tocadas com outras. Não se pode aumentar o volume sem perda da qualidade, o que acontece é que as ondas ficam quebradas quando se chega ao 100% de amplitude. O compressor é um recurso para aumentar ainda mais o som sem muito prejuízo sonoro, mas, ainda assim, é ruim. Hoje em dia existe um movimento de artistas e técnicos contra essa prática.

Malditos capitalistas!

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Pequeno exercício de futurologia

2007/02/25

Existe uma questão muito séria sobre nutrição para nós seres humanos que vou resumir à dualidade brócolis × hambúrguer. De um lado, temos o que nos faz bem e de outro, o que nos atrai. Penso em um futuro próximo onde essa briga possa ter um fim. Eis uma série de alternativas que vislumbrei:

  1. Os brócolis poderiam ser modificados geneticamente para ter gosto de hambúrguer. Assim, comeríamos quilos de brócolis amarradões.
  2. Nós mesmos poderíamos ser modificados geneticamente para gostar de brócolis e não de hambúrguer. Mesmo efeito do caso acima.
  3. Seria criado um dispositivo a ser instalado em nossos esôfagos que permitiria a seleção de alimentos que engolimos. Poderíamos comer vários alimentos e apenas aqueles que forem saudáveis teriam passagem permitida para o resto do sistema digestório. Brócolis seguiria seu caminho normal e o hambúrguer seria eliminado por outro orifício em local ainda não determinado. Sugestões? Além disso, poderíamos comer indefinidamente. Bastaria acionar o desvio a partir de certo momento e a magreza seria facilmente obtida.
  4. Nossas mentes poderiam evoluir ao ponto de fazermos serenamente não só o que nos apetece, mas aquilo que sabemos ser saudável.

Opinem, por favor. Qual sugestão parece mais adequada? Alguma outra?

Justiça seja feita. Adoro brócolis. :)

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AC/DC e Therion

2007/02/21

Uma das primeiras vezes que ouvi rock n roll e metal na vida foi uma fita cassete que tinha AC/DC de um lado e Iron Maiden do outro. Ambos ao vivo. Eram os álbuns clássicos If you want blood you’ve got it e Live after death.

Alguns anos se passaram e conheci uma banda sueca chamada Therion. A preferida do Paulo. No álbum deles de que mais gosto, o Deggial, há uma música chamada Enter Vril-ja. Ao ouvi-la tive aquela sensação esquisita… Sabem quando não se tem a mínima idéia de onde conhece alguém que acabou de passar te cumprimentando?

Pois bem. Existe um riff de guitarra em Enter Vril-ja que é parecido demais com outro em Hell ain’t a bad place to be do AC/DC para ser coincidência. O resto é bastante diferente, mas senti-me na obrigação de comunicar ao mundo essa importante descoberta.

Confiram!

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Reprodutores de música

2007/01/09

No começo eu usava o velho XMMS e era feliz. Foi então que veio o GTK+ 2 e fiquei extremamente insatisfeito pelo XMMS não ter acompanhado a evolução da biblioteca. Decidi, então, dar um chance ao reprodutor default do Gnome, o Rhythmbox, mas, na época, o achei estranho demais. Parecia, para mim, mais um programa de email do que um tocador de música. Assim, fiquei com o Beep Media Player, cuja proposta era ser o sucessor do XMMS usando GTK+ 2 e fui feliz de novo.

Um dia, porém, li sobre o Listen em um blog desses de tecnologia. O autor dizia maravilhas dele e tinha capturas de tela bem atraentes. Soube que ele era feito em Python e GTK+ 2 e resolvi dar uma chance. Fiquei muito impressionado com algumas funcionalidades, como trazer informações sobre a banda, trazer letra da música e a capa do álbum. Passei a usá-lo quase imediatamente. Finalmente entendi que o conceito iTunes de tocar música pode ser mais legal do que o conceito conhecia, advindo do Winamp velho.

Com o tempo resolvi testar o Rhythmbox mais uma vez e vi que ele também era bem legal, na verdade. Com a vantagem de ser mais leve que o Listen pois era escrito em C. Através de plugins, ele tem o lance das letras e busca a capa do álbum da música que está tocando no momento. O Listen é mais rico, mas acabou que não senti falta dos extras. A única coisa que o Listen tem a mais e faz falta é permitir editar os dados dos arquivos de música. No entanto, existe um programa, chamado EasyTag, que faz essa tarefa, e só essa, de uma forma bem mais fácil e eficiente. Fico com o par Rhythmbox e EasyTag, por enquanto.

Depois de terminada a historinha, vamos ao que interessa. O que motivou esse artigo de hoje foi a quantidade impressionante de reprodutores de música à la iTunes disponíveis para GNU/Linux. São feitos nas mais diversas tecnologias. Eis a lista dos que conheço:

  • Rhythmbox: Esse é o default do Gnome; feito em C
  • Amarok: O default, nesse estilo, do KDE; feito em C++, naturalmente
  • Listen: Feito em Python; originário da França
  • Banshee: Feito em C# Mono, usando o GTK#
  • Exaile: Mais outro feito em Python; inspirado no Amarok, porém em GTK+
  • SongBird: Esse tem as funcionalidades mais doidas; feito em XUL.
  • BMPx: Reedição do BMP com visual iTunes; feito em C++

Experimentem, divirtam-se e relatem aqui suas impressões.

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Consumo

2006/10/11

Já se perguntaram aonde vai parar o seu dinheiro? Aliás, dinheiro não pára, fica circulando continuamente, mas, apesar disso, podemos imaginar as conseqüências mais imediatas da forma como o empregamos.

Há algum tempo, era veiculado um comercial de televisão que mostrava o usuário de drogas como financiador do crime organizado. Era uma seqüência de cenas às avessas, começando dos efeitos e chegando nas causas. Esse é um exemplo da idéia, que quero discutir, de que o consumo influencia nossos destinos de formas indiretas, porém poderosas.

Pensando em um exemplo menos dramático, imagine aquela lojinha de produtos de informática que fica perto de sua casa. Um dia você passa lá e descobre que a variedade de produtos não é tão grande e o preço é ligeiramente maior que daquela loja grande perto do seu trabalho, lá no centro. Logicamente você prefere a do centro e compra lá sua placa vídeo nova. Depois de algumas semanas, para sua surpresa, a lojinha da sua rua está fechada. Tristeza. Menos uma opção, principalmente agora que você quer mais um pente de memória e estamos em pleno sábado.

Vemos que é possível estimular ou inibir as ações das empresas através do consumo. O consumidor, a rigor, manda no capitalismo. O problema é que esse consumo não é consciente. Na verdade, é a propaganda comercial que consegue dar alguma direção a esses milhões de mentes consumidoras. Não é preciso dizer que, nesse caso, o objetivo final é o lucro dos capitalistas e não o bem estar seu.

Vejamos alguns exemplos de aonde nosso dinheiro pode ir quando consumimos alguns produtos ou serviços:

  • Lanchonete do seu Zé: o dinheiro vai pagar os funcionários; os fornecedores, de acordo com o produto e marca que você escolheu; uma parte vai para o bolso do próprio Zé, que será estimulado a manter ou aprimorar o negócio, pois este lhe dá lucro e que pode gastar ali perto, pois, provavelmente, mora próximo.
  • McDonald’s: vai para os funcionários; para os fornecedores, que usam, no mínimo, vegetais transgênicos; para o dono, que paga franquia para o McDonald’s Brazil, que envia dinheiro para a matriz americana.
  • Tênis Nike: um pouco para a loja onde você comprou; um tanto para o importador, que não afirmamos nada sobre ele; outro tanto para a fábrica, que na melhor das hipóteses fica nos EUA e traz o pão-da-cada-dia para algumas famílias do Texas, sei lá, e em outra hipótese, sustenta indonésios ricos que exploram trabalho escravo infantil.
  • Notebook do Milhão: um pouco para a loja, é claro; um pouco pro Sílvio Santos; um tanto pro fabricante do hardware, que sei lá onde e como é feito (chineses escravos? proletários baianos?); um pouco para a empresa de software nacional que faz o jogo do milhão e outras coisas do tipo; um tanto para a empresa que fez o pedaço de software horrível que ocupa o espaço onde deveria estar um sistema operacional e tem sede em Redmond;
  • Dér-partilha-por-um-real-do-menino-de-rua: uma parte para o garoto que vai achar que vale a pena continuar a vender balas no sinal; outra para o comerciante que tem loja atrás da Central; mais uma parte para a quadrilha que roubou a carga do caminhão; mais outro tanto para a prostituta da Vila Mimosa cujo cliente agia na quadrilha; ainda um tantinho para o que, na realidade, é cafetão que apenas diz alugar o espaço para as moças… Esqueçam! Viagei!

Esses exemplos podem não ser completos ou acurados, mas não devem estar muito longe da verdade. O mesmo exercício pode ser feito, sem contra-indicações, pelos caros leitores, no momento da escolha de suas próximas compras.

Segue uma lista de escolhas positivas e negativas pessoais minhas, por motivos diversos. Não quero dizer a ninguém o que fazer, mas só peço que fiquem de olho e consumam conscientemente. Adianto que se aplicarem o raciocínio das conseqüências a essas escolhas, podem discordar de mim em vários pontos.

  • Compro: Tênis Rainha e Topper da loja da 28 de setembro; CD demo de banda de black metal que tocou no Garage; esfiha do Habbib’s ou Casa Pedro; sanduíche do Giraffa’s; televisor Gradiente com tecla SAP; celular Nokia, que, pelo menos, não é americano; revistas sobre história da Biblioteca Nacional; CD de * metal com o Márcio da Pedro Lessa, no centro; baixo Tagima; encordoamentos NIG; livros de autores clássicos em banca de jornal; pão sete-grãos Firenze;
  • Não compro: Tênis Nike e All Star (mal-estar); celulares Motorola, que ainda por cima, tem usabilidade péssima; sanduíche de carne de minhoca do McDonald’s, que, aliás, fazem uns bons anos que não como nada de lá; parafernálias eletrônicas da Apple, a propósito, o Mac é um hardware caríssimo entupido de maldito software proprietário com todas as suas desvantagens; CDs de bandas americanas, pois eles não sabem fazer metal mesmo; baixos Fender, Gibson, etc; livros da seção de best-sellers, a não ser por engano, como verão em outro post; revista Veja, que é de extrema direita fazendo pose de imparcial;

Critiquem, por favor.

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Calão

2006/08/15

Dizemos baixo calão, mas nunca alto calão. Que diabos é isso? Calão… calão… baixo calão. Imagino um povoado ao sul da mongólia numa região de menor altitude. Teria sido colônia portuguesa há quatrocentos anos e hoje tem um carnaval deprimente animado por marchinhas brasileiras de outrora. Mas voltemos à seriedade.

Dia desses fiquei irritado com minha própria dificuldade de expressar-me adequadamente. Nessa ocasião, palavras de baixo calão não eram admitidas. Mais do que irritado, depois, fiquei pasmado com minha deficiência.

Contrastem esse episódio com o fato de que até certa idade, eu nem sabia usar esse palavreado. Um dia eu até tive que me forçar a praguejar, numa tentativa imbecil de socialização com meus jovens colegas. Aquelas palavras soaram para mim como artificiais, estrangeiras. Em breve, porém, já estava fluente e, quem diria, já trazia novos vocábulos xulos ao conhecimento de meus companheiros.

Em um momento de ócio, há alguns dias, entendi que existe uma tendência da linguagem popular a se extremar cada dia mais. Veja um exemplo singelo. Estou morrendo de fome! já foi exagero algum dia (remoto) e hoje expressa a mesma intensidade de um, Tenho bastante fome. Outro exemplo é o termo bizarro que há não muitos dias denotava uma estranheza de proporções astronômicas e hoje é quase o mesmo que normal.

Outro perigo, mais grave, é que a definição de uma gíria ou palavrão é muito abrangente e flexível. É uma muleta que usamos quando temos preguiça de escolher uma construção mais adequada para expressar determinada idéia. Às vezes, chegamos ao cúmulo de apoiarmo-nos na entonação da voz, olhar ou gestos para comunicar uma idéia. Ouvi relatos de que essa pobreza foi fonte de brigas entre amigos, transformando o que deveria ser uma mensagem amigável em uma ofensa séria.

Em vista dos perigos que expus acima, proponho que por um tempo paremos de usar gírias e palavrões. Já tentei outras vezes. É doloroso, cansativo, mas encaro como sendo a dor natural do aprendizado e do desenvolvimento intelectual.

Para ajudar-nos nessa tarefa, comecei uma lista de substituição. A cada verbete xulo, temos o seu equivalente em português. Resolvi também não poluir o texto com as palavras feias substituindo-as pela grafia universalmente aceita dos quadrinhos. Quem sabe, sabe. Ei-los:

  • *&$# que pariu – “Maldição!”
  • Seu #)($&#! – “Seu bosta!” e “Seu verme!” suprem a necessidade de expressar desprezo pelo próximo. Na verdade, isso não é um hábito muito saudável. Se o indivíduo realmente merecer esse tratamento, o equivalente de baixo calão é mais do que adequado.
  • %$#@*& de $# é %@$#: “De maneira nenhuma.” ou “Discordo veementemente”, embora, não exista equivalente à altura. Na verdade, imagino que poucos povos têm uma forma tão baixa de negação de um argumento.
  • Ele é um #$%#&$: “Ele é um escroque” é quase igual. É o equivalente ao guaraná antartica diet para quem faz dieta.

Por favor, contribuam com cometários para podermos aumentar a lista.

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Metal e Circo II

2006/08/09

Sepultura star logoComentávamos sobre um casal bem tipo tios-de-alguém sentados à mesa no meio de toda aquela galera de preto e com camisa de banda quando ouvimos a bateria do começo de Dark Wood of Error. Incrédulos caminhamos lentamente na direção do palco e um de nós disse, Começou, e corremos. Bem que percebi que havia uma outra bateria já montada atrás daquela do Krisiun, então, em bom português, foi pá-pum entre um show e outro.

No show anterior, mesmo gostando das músicas, fiquei basicamente parado com pose de mau. Nesse, pulei feito um condenado, a camisa de flanela ficou ensopada de suor, cantei no estilo da voz aveludada do Max, vocal original, e terminei com gosto de sangue na boca. Não é todo dia que se vê um show desses; perdoem-me.

É, então, inevitável comparar o estilo dos bateristas. O primeiro, o Max Kolesne, é um recordista, impressiona a velô com que ele bate no bagulho, mas o carinha não dá uma pausa. Gosto muito, mas se nós que ouvimos ficamos cansados, imagine ele. O fato é que não dá pra empolgar nesse ritmo. Já o Igor Cavalera, compõe coisas mais puláveis. É fácil se empolgar num show do Sepultura.

Para quem tem dúvidas sobre o baterista novo, o Jean Dolabella, que entrou depois do Dante XII somente para a turnê, o cara é bom. Tivemos a impressão porém, que em duas músicas do Roots, ele soou meio estranho, meio quadrado, mas valeu assim mesmo.

Acho que tocaram todas as músicas que eu queria. Fiquei com a impressão de que estavam atendendo aos meus pedidos, mas agora sei que o set list já estava pronto. Santa ingenuidade, Batman!

Fiquei felizão e o Raul aliviado pensando, Quase que não venho. Ele sentiria um remorso absurdo depois que eu contasse como foi.

Agora? Agora eu to ouvindo isso, pois em verdade vos digo: nem só de Metal vive o homem.

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Metal e Circo I

2006/08/07

Cheguei no Circo lá pelas dez, acreditando ser pontual. Ao aproximar-me, surgiu um enorme sentimento de urgência. De fora, era possível ouvir o bumbo frenético do batera do Krisiun. Corri ligando pro Raul, O show já começou, rapá, Vou entrar. De fora ainda ouvi eles tocarem Kings of Killing. Ódio! Praguejei e o carinha que estava na minha frente na fila de ingressos concordou dizendo irado, Isso é hora de começar!

Dentro, fiquei curtindo a sonzeira e pensando nesse post. Achei que iria escrever que já não era mais tão jovem e minha manifestação de fúria restringiria-se apenas a soltar o cabelo e sacudir a cabeça de vez em quando. Enganei-me, pois muita coisa aconteceria ainda naquela noite.

Já fui a dois shows do Krisiun antes. Diversão garantida. O som é bom pacas, sempre tem nêgo dando moshs loucos e o Alex, o vocal, sempre fala besteira entre as músicas. É tradicional já. No último show que fui, que, aliás, foi o primeiro show no Circo depois da reforma, ele dizia, Nós não descriminamos banda nenhuma, tocava uma música e dizia, A gente não divide palco com essa palhaçada de white metal, e etc. Agora, ele inovou contradizendo-se na mesma frase, A gente não está aqui pra provar nada pra ninguém, mas a gente vai mostrar que o Metal não morreu!

Para vocês terem uma noção de como o público gosta de Krisiun, certa hora, o Alex perguntou, Vocês estão prontos para o Sepultura? e a massa respondeu, Krisiun! Krisiun! Krisiun!, este que vos escreve inclusive. Não que estivéssemos dispensando a outra banda, mas ainda estava cedo para o show deles terminar. Tocaram ainda algumas músicas e nas duas últimas tiveram a participação do Andreas Kisser. Massa!

Raul apareceu lá atrás quase no fim do show e fui buscá-lo…

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Ursula

2006/07/12

UrsulaHá uma década, fui apresentado à escritora Ursula Le Guin. Era uma série de três livrinhos, a trilogia de Terramar. Lembro-me de lê-los enquanto ‘olhava’ meu sobrinho brincar a pedido de minha irmã. Uma olhada no moleque, umas linhas do livro, olho nele de novo, mais um parágrafo, ele está ali, mais outra página, outro capítulo e outro e cadê o menino? Minha irmã o traz de volta com um olhar de decepção. O troço é bom mesmo; você fica com a cabeça perdida num outro mundo.

É interessante que um feiticeiro no mundo de Terramar é um trabalhador, um prestador de serviços. Vai-se a uma escola para aprender o ofício e em seguida tece-se feitiços para melhorar a pesca ou aumentar a resistência de uma embarcação, cura-se doenças, espanta-se fantasmas e demônios, afia-se magicamente o gume de espadas e lanças para um guerra, etc. Faz-me lembrar muito a letra de uma música do Black Sabbath. ‘Tecer’ feitiços: gosto dessa maneira de dizer.

Outro dia encontrei com o Madeira (Antônio) e disse que os livros ainda estavam comigo. Ele me xingou e acabou dando os livros. Já ganhei um CD de outra pessoa assim. Não que me orgulhe.

Anos depois, conheci outros físicos fãs de Ursula Le Guin que me emprestaram outro livro dela. Nesse, a ficção era científica e política e o personagem principal era um físico. Lembro-me bem de sua revolta, em um momento, constatando que simples objetos utilitários, como cadeiras, eram sensuais em Urras, o mundo capitalista. Para maximizar lucros, adicionamos sensualidade aos produtos, naturalmente.

Ouvi também falar de um outro livro, que discutia sexualidade num ambiente exótico, onde todos são sexualmente neutros a maior parte do tempo. Os seres desse planeta apenas assumem, fisicamente mesmo, um dos sexos numa determinada época chamada kemmering. Nany conseguiu (Valeu mesmo! Uhuu!) o livro somente através de um sebo internético. Após lê-lo, vi que realmente a escritora manda muito bem, mesmo falando de um tema esquisito. É muito bem feito, sofisticado e satisfaz até mentes críticas.

A última novidade é que Terramar vai virar desenho animado estilo Viagem de Chihiro. Nany conta isso melhor. Fiquei estarrecido com a notícia. Não pensei em outra coisa durante dias. Vamos torcer pra aparecer logo nos cinemas.

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Ódio infantil contra a máquina

2006/06/19

Um dia desses estava indo para a aula com uma certa pressa. Parei um pouco esperando o sinal fechar para poder atravessar a rua que separa trabalho e universidade.

Então noto um barulho de pancadas e vozes de crianças. Alguns alunos do colégio municipal que tem perto do trabalho estavam espancando um micro. Chutavam, pulavam em cima, pegavam a coisa e jogavam com toda força no chão. Aquilo era ódio legítimo. Gritavam enquanto faziam isso.

Minha primeira reação foi de medo. Pensei "Onde deixei meu micro?". Por milésimos de segundo, achei que aquela poderia ser a minha máquina. Idiotice, claro, mas nesse intervalo de tempo, esses pensamentos podem surgir. Além disso, senti-me desprevenido, dada a surrealidade da situação. Justamente por isso, a segunda reação foi de me perguntar se estava realmente acordado. Toda a cena parecia típica de sonho.

O sinal fechou e atravessei ainda olhando para trás tentando entender o que se passava.

No dia seguinte comentei o fato com amigos e alguns deles propuseram teorias. A mais curiosa foi que o diretor do colégio usava em seu micro um sistema operacional de código proprietário e de baixa qualidade e depois de perder dados imprescindíveis deu essa importante tarefa aos alunos. Destruir o hardware não é necessário. Todos nós sabemos que um cd adequado resolveria o problema num instante, mas alivia o estresse.

Alguma outra teoria? Comentário? Sintam-se à vontade.